Ler e escrever o próprio nome são as bases de verificação de alfabetização para as estatísticas do nosso governo. Ser capaz de fazer isso em textos dá critério para o ensino fundamental. Conseguir interpretar textos além do que está exposto é um “Don” do ensino médio. Fazer estes textos é desafio para o nível superior.
É exatamente neste ponto que surgiriam os jornalistas. Deveria ser… Não é por duas razões: a primeira é o fato de que vivemos na era da comunicação e o esforço individual tanto coroa escritores precoces quanto crucifixa os que não se adéquam. A segunda é que o padrão dos diplomados vem caindo… e muito!
O motivo deste texto é, logicamente, uma experiência recente mas já vivida antes. Como inúmeros projetos fazem parte do nosso dia a dia na Gvilela – Marketing & Design, nem todos chegam alinhados ao padrão de qualidade que sustentamos na entrega dos resultados. Ou seja, temos que processar muita merda para filtrar o que é bom e fazer a mágica acontecer.
Esta semana, uma relação já conflituosa há alguns meses que envolve de um lado um ego jornalístico visivelmente “inflado” e de outro uma alta demanda de qualidade minha (ok, você pode estar lendo isto agora e pensando: “hum… será que ele não está sendo parcial e puxando a brasa para a sardinha dele?” Bem, não vou citar a outra parte por educação e elegância, então decida-se por suas próprias conclusões), chegou ao seu limite.
O post é sobre isto mas tenho certeza de que a história não é um privilégio meu. Sim, acredito mesmo que, assim como na maior parte das carreiras atuais, muito sofrem com jornalistas semi analfabetos todo santo dia. Os poucos bons e capazes de serem excepcionais no que fazem são cada vez mais raros e deles e delas este texto passa ao largo. Estes últimos não precisam se valer da máxima de que fazem parte do quarto poder pois efetivamente o são. Para os demais: levantem seus registros MTB e continuem gritando pois o volume de informação hoje é tão alto (got it?) que talvez a ameaça consiga ainda intimidar algum desavisado.
O semi analfabetismo a que me refiro não é necessariamente lingüístico ou ortográfico. Leia as entrelinhas (ou as estrelinhas, como já ouvi de uma delas, graduada e atuante!) São semi analfabetos por não possuírem o diferencial além da técnica: sofrem pela desorganização própria, não possuem habilidades administrativas mínimas para explorarem o real sentido da expressão “ser profissional”, valem-se da soberba para pisar em “leigos não letrados” que tanto os auxiliam em suas deficiências de mobilidade e relacionamento interpessoal ou mesmo não se misturam com uma equipe produtiva e que se esforça para superar cada passo dado em busca de algo tão esquecido hoje em dia: resultado.
Infelizmente, não podemos escolher nossas equipes sempre. Mas o consolo é que quando podemos, buscamos acertar excluindo a mediocridade do nosso meio. Aí vai a sugestão: conheça um jornalista por suas diferenças! Produzir bom conteúdo, como já dizia minha mãe, não é mais que obrigação. Isto todos deveriam saber fazer, afinal, alguém lá atrás assinou um diploma garantindo isso a você, consumidor do jornalismo.
Por isso, verá, muitos destes profissionais ainda serão aleijados por um membro desta horda de novos escritores, autores, blogueiros, twitteiros e jornalistas diferenciados que com ou sem a carteitinha fazem um trabalho impar, melhor e que tem o mais valioso resultado de todos como troféu: o reconhecimento público.
Gustavo Vilela não é jornalista, nunca quis ser e não atira pedra em telhado de vidro (apesar de levar algumas no bolso)